24 novembro 2006

30 janeiro 2006

Olá, amigos... Tudo bem?

Deduzo que sim. Mais uma vez não parece exequível, mesmo falando de algo que supostamente afecta todos os intervenientes e de interesse geral como é a qualidade de ensino, confiar ao "português médio" a tarefa dispendiosa em tempo e recursos que é a partilha gratuita de situações graves, merecedoras de denúncia.

Digo isto porque não acredito que a inactividade deste blogue, que se quis ser de todos e não comandado por este ou aquele, traduza uma melhoria tão clara das condições em que se ensina no nosso país que já não mereça reparos.

Como já alguém disse, num comentário neste blogue, é preciso não esquecer que muitos dos discentes de hoje serão docentes amanhã. Às vezes os (bons) exemplos devem começar por ser dados a nós próprios. A "preguiça" foi um dos defeitos recorrentemente apontados como prejudiciais à boa forma de se dar aulas. Vale a pena pensar nisso... ou não.

17 outubro 2005

Regresso...

Está oficialmente reaberta a época de aulas, e de indocências.

Caros amigos, deixemos para trás a praia, o sol, o mar e tudo o que não tem a ver com a realidade com que, todos os anos, milhares de alunos (bons e maus) se deparam.
É a hora de voltarmos à carga, com mais força que nunca, com verdades do presente e do passado, verdades que não devem ser escondidas, e que servirão para trazer novas gentes, novos episódios surreais, e consequentemente novas verdades sobre o (des)ensino português e não só.

Para que não me apontem o dedo, faço a minha parte (mais uma vez).

Episódio: Teste de Língua Portuguesa do 8º ano do 3º ciclo
Conservatório de Música Calouste Gulbenkian em Braga.
(in...in...IIIIINNNN)Docente: Marina Meireles

Se bem me lembro, isto passou-se assim:

As aulas daquela disciplina devem ter-nos a todos feito perder um ano. Isto porque não se aprendeu rigorosamente nada.
Como se não bastasse, veio o teste, e ninguém sabia responder a quase nada... Digo isto porque, além de o teste não fazer o mínimo sentido, as coisas que lá se pediam eram ridículamente desajustadas dos objectivos que as aulas davam a entender serem os da disciplina e, principalmente, da professora.

Como não podia deixar de ser, as notas foram absurdas de tão más... afinal de contas os professores até diziam que a nossa turma, apesar de mal comportada, tinha jeitinho prá coisa... ou talvez não.

Muitos de vós dirão "ohhh meu amigo... quantas vezes isso aconteceu comigo"...
E eu não duvido. Mas pensei que esta situação não fosse possível de se ver num contexto, por exemplo, académico.

Lembrar-se-ão da professora de História Económica da Licenciatura em Economia da U.Minho, Cristina Moreira, já tão falada por mim e outros, neste blogue. Ora esta senhora dá a entender ser a personificação da metáfora "atirar os exames ao ar, e os que cairem em cima da cama...", mas não está, infelizmente, sozinha.

Universidade do Minho - Licenciatura em Economia (the usual)
Métodos Quantitativos III 1º semestre de 2001
(não)Docente: Cristina Amado

A visada não é indocente. Ela é, pura e simplesmente, não docente. Em comparação à stôra de português de há pouco, faltam-lhe anos e anos de experiência (aí uns 30, facilmente)... Mas algo as une. Serão as aulas sem conteúdo (e falamos de uma disciplina que tem por base Matemática!!!!)? Ou os exames desajustados?? Ambos... definitivamente.

Assim, no exame, e reconhecidas que são as dificuldades que a maioria dos alunos têm com números e operações algébricas, algo de muito mau acontece. Um exame com uma exigência acima do humanamente (falo em média) tolerável. Mesmo sem ter em conta que ela não conseguia resolver UM exercício que fosse na aula, se não estivesse nos seus apontamentos. Era incapaz de esclarecer UMA dúvida que não estivesse nos acetatos... E espeta com um exame na nossa frente que fez 80 a 90% dos presentes (e eram 5 ou 6 salas do CP III, ou seja, mais de 150 pessoas) desistir na 1ª meia hora... Os restantes ficaram para obrigar a professora a ter algum trabalho a corrigir, pelo menos. Segundo as declarações dos participantes, três... no máximo quatro pessoas achavam que conseguiam passar. A maioria que entregou (aí uns 30...40) disse que nem tinha feito perguntas suficientes para o 10... Outros disseram que nada do que escreveram estava bem... só encheram as páginas de números para lhe dar trabalho.

Surpreendentemente, ou não, passaram mais de 20 pessoas. Pessoas que garantiram, mesmo depois da nota sair, que tinham respondido a perguntas suficientes para ter 6!

Então, Sra. Prof.ª?... Ficou com peninha?? Ou talvez o seu 1º ano a dar aulas de Métodos III não ficaria bem visto com uma taxa de reprovação de ... 99,5%??!!

Palhaçada...

30 julho 2005

Aquela vontade de destruir o gabinete..

A história é sobre o prof. Herédia de Economia da União Europeia. Para além do facto de ter adormecido no dia de exame da 2ª chamada, já referido num post anterior, ele lançou as notas dois dias depois das incrições para recurso terem acabado. Fomos aos SA na tentativa de inscrição e ouvimos um redondo não:
"Agora já não dá."- diz a funcionária.
"Mas o professor é obrigado a lançar as notas atempadamente"- argumentamos nós..
"é verdade...falem com ele.." - retorquiu.

Fomos falar com o prof e diz ele para nós tentarmos achar uma solução nos SA porque ele tinha muito trabalho para fazer... Nós ficamos pasmados a olhar para ele...Não se esqueçam que este problema fora criado por ele. Mais...ele "corrigiu" 100 exames num dia ou seja basicamente distribui 13's a torto e a direito sem olhar para eles. Pessoalmente achei que merecia mais, fui falar com ele, e "surpreendentemente" verifiquei que ele praticamente nem tinha olhado pros exames:
"Provavelmente deve ter aqui algumas coisas erradas"- disse ele, ao pegar durante 10 segundos no exame.
E por fim, a disciplina também era avaliada por um trabalho feito durante o semestre. À pergunta :
"qual foi a minha nota no trabalho?"
veio a resposta:
"deve ter sido 13 também..qual foi o tema do seu trabalho?"
..ou seja, nem sequer pegou neles...
Ora digam lá se não sentiriam uma vontade de partir o gabinete todo ao ouvir estas cenas...


PS:Não tenham medo de fazer frente aos profs. Eles não mandam nos vossos cadernos, não podem expulsar alunos sem + nem -, e não podem gozar nem desrespeitar os alunos...REVOLTEM-SE ATÉ ÀS ÚLTIMAS CONSEQUÊNCIAS...primem pela diferença e bravura. uma exposição sobre a prof. Maria Cristina Moreira já foi entregue ao Director de Curso de Economia da UM ,assinada por grande parte dos alunos do 4º ano (outra história).

hasta

23 julho 2005

Outra vez do mesmo...

O alvo é o mesmo, a incomensurável incapacidade de desleccionar a mesma... Enfim... Artur Jorge no seu melhor! Mas aqui vai o que se passou: há uns dias um aluno da cadeira do 4º ano de Gestão, Elaboração e Avaliação de Projectos de Investimento, viu na pauta que tinha tirado 5! Muito surpreso porque acreditava ter feito por merecer nota melhor (apesar do engano que pode provocar um exame de estilo americano), dirige-se ao gabinete do Professor(?) para ver o exame! Apenas nessa altura o dito reparou que, ao fazer a correção, tinha usado a grelha errada, ou seja, corrigiu um teste tipo A com uma grelha de um teste tipo B... Sem ter tido a mínima preocupação de verificar uma eventual possibilidade de erro! Visto isto o aluno saiu do gabinete com um reluzente ... 14! Por isso, aqui fica um conselho: " Não confiem um palito a um indocente" , verifiquem sempre por vocês mesmos!

18 julho 2005

Comentário ao post "sem comentários"

Acerca do post do caríssimo colaborador Frontale "O saber vem com o comer", deixo aqui umas breves notas.

Isto é um exemplo claro daquilo que é a consideração e dedicação que alguns professores empregam à sua profissão, responsabilidade e dever social.

Isto é uma demonstração perfeita daquilo que deve ser banido.

Isto é, por fim, um alvo perfeito a abater (leia-se: denunciar), se os objectivos deste blogue ultrapassarem as barreiras da utopia.

Amigos, mobilização efectiva é o que precisamos. Devemos todos, sem excepção, procurar divulgar, dar a conhecer, e por fim cativar os nossos conhecidos para uma causa há muito perdida. Talvez por isso este blogue não seja em vão. Talvez porque muitas outras formas de protesto foram já, sem sucesso, experimentadas. Talvez por ninguém acreditar que isto funcione, o elemento surpresa ganhe novo significado.

Contamos connosco, apenas, mas talvez sejamos apenas imensos.

Obrigado.

15 julho 2005

O saber vem com o comer...

O indocente em questão deve ser conhecido do pessoal de economia: Artur Jorge! Desleccionou na memorável cadeira "Derivados e Gestão do Risco", e com ele vivi dois momentos inesquecíveis! Primeiro, e enquanto olhava para um gráfico sobre o comportamento dos contratos de opções, o dito indocente pura e simplesmente bloqueou...

- "Ah, olha, não querem lá ver que não tou a ver nada do que está aqui escrito, não consigo interpretar nada do que aqui está... Isto de vir para a aula sem tomar o pequeno almoço... Continuem a ler este capítulo que eu vou ao bar e já venho."

Achei estranho ter levado os apontamentos com ele, mas na hora nunca pensei no que se seguiria: apanhado em flagrante a ver apressadamente os apontamentos à porta do 3º piso do CP1 por alguns alunos retardatários!


Isto já era suficientemente mau, mas ficou pior, bastante pior... Uns quinze dias depois tentava o indocente explicar-nos uma qualquer matéria em que estávamos a falhar redondamente na resolução do exercício respectivo, quando num inesperado acesso de fúria ele tem esta tirada:

- "Tou farto, meia hora para resolver um exercício, não sei o que estou aqui a fazer!"

Ao que um aluno respondeu:

- "Mas professor, você nem explicou como se faz... Nós não nascemos ensinados!!!"

- "Ai é? Então quero o exercício resolvido na próxima aula e conta pra nota! E esta aula acabou por aqui! Desenrasquem-se!"

Sem comentários...

14 julho 2005

Eu mando no teu caderno!

Estava a decorrer a normalíssima aula de Latim. O Professor Joaquim passou pelo lugar de uma aluna. No caderno dela, ela tinha escrito por baixo de uma frase que estava a ser analisada: suj. e pred.

Indocente:
- Não é suj. nem pred., é sujeito e predicado.

Ela:
- Sim, professor, mas isto é o meu rascunho e depois eu passo a limpo em casa...

Indocente:
- Mas está mal, não é suj. nem pred. é (blá, blá, blá)...

Ela:
- Professor, mas o caderno é meu!...

Quando o Indocente ouviu a palavra "meu", enfureceu-se e, alterado, disse:
- Saia já da minha sala, porque eu é que sou o orientador da cadeira, e eu é que mando!

Ela:
- Com muito gosto.

Levantou-se e nunca mais voltou. Passados três anos, passou à cadeira por lapso do professor.

13 julho 2005

Há muito, muito tempo...

...era eu uma criança...

Tinha 10 anos e acabara de entrar para o "ciclo". 5º ano de escolaridade, 12 ou 13 disciplinas em vez de 3, e outros tantos professores em vez de um só.

Era o 1º ano em que tínhamos, por exemplo, a disciplina de inglês. A nossa professora entrou em licença de parto, e teve que ser substituida logo no início do 2º período. E eis que nos saiu na rifa a Miquelina... Miquelina Maria Martins, de seu nome, ficou conhecida como "aquela" que usou (durante os 2º e 3º períodos) sempre a mesma roupa ou roupa igual! Calças de veludo pretas, justas, top rosa choc e casaco de vison, combinando com uns saltos altos de agulha já marcados de muito uso.

Mas a melhor caricatura desta senhora (menina que, na altura, não aparentava mais de 26, 27 anos) é a inúmera quantidade de vezes que se virava para os alunos e perguntava como se dizia "isto" ou "aquilo" em inglês. Nada de muito estranho, não fosse o facto de ela o fazer por não saber a resposta!

É de reafirmar que estávamos no 5º ano e era o nosso 1º ano de inglês! Comparável, só uma professora primária que não consiga dizer como é que se lê um "p", um "a" e um "u", por exemplo, e pedir a um puto da 1ª classe que a ensine!

Não sei como é que ela conseguiu as habilitações para dar aulas, e a coragem para dar aulas. Mas assim foi...

08 julho 2005

MUITA PACIÊNCIA!

Antes de mais parabéns pela excelente iniciativa. Há certas coisas que devem ser contadas, e não ficar num círculo restrito de amigos, porque dizem respeito a todos.
Hoje, dia 8 de Julho de 2005, tive exame às 9:30h, no Complexo I da Universidade do Minho, a Economia da União Europeia, do curso de Economia.
Agora esqueçam o que eu disse, porque isto seria o que eu diria, não fosse o (in)docente Herédia.
Como já disse o exame era às 9:30h. 50 alunos estão na sala à espera de professor. Às 10h esses mesmos alunos continuam na sala à espera. Entretanto, fizeram-se esforços para contactar o (in)docente, não se tivesse ele esquecido, ou estivesse a dormir. Quem sabe?! 10:15h, continuam os alunos à espera, 10:30h... continuamos a desesperar! Às 10:45h... haja luz!O (in)docente foi finalmente contactado. Teve um problema e não poderia aparecer, à hora estipulada, para a realização do exame. Obrigado por avisar atempadamente doutor (in)docente! O exame iria realizar-se no mesmo dia às 14:30h. À hora marcada, lá fomos para a sala destinada, no Complexo I, mas o (in)docente achou que tinha uma melhor, no Complexo III, logo fomos para lá. Quando lá chegamos... adivinhem? Já estava a decorrer um exame! Fomos para a sala anteriormente estipulada. Entretanto o funcionário já tinha disponibilizado esta sala para outro (in)docente. Graças ao poder negocial do nosso (in)docente lá conseguimos aquela sala para o exame, finalmente, se realizar. Espanto meu, ou não, quando vejo o exame e verifico que o cabeçalho se referia ao curso de Relações Internacionais e não Economia, assim como, a data era de 8 de Junho de 2005! Mas, apesar de tudo, lá se fez o "complicado" exame.
Custa assim tanto ser-se um "bocadinho" responsável? São (in)docentes como este que nos instruem e que irão instruir os nossos filhos, ou filhos dos nossos amigos?!Que futuro para este país?

07 julho 2005

Apresentação

Venho por este meio apresentar-vos uma das maiores aberrações que alguma vez pisou uma sala de aula em que eu estivesse presente. Chama-se Maria Cristina Guimarães Almeida Moreira e lecciona na Universidade do Minho. Tive o infortúnio de a "apanhar" como professora de História Económica.

Certamente que eu e muitos outros postaremos neste blogue histórias surreais da senhora. Por ora resta-me aguçar-vos o bico com a seguinte delícia:

Durante uma aula, falando do comércio português com a Índia, a professora escreve a seguinte palavra no quadro:

PREVELIGIADAS

Após o intervalo, na 2ª parte da aula volta a escrever no quadro:

PREVILIGIADAS

Cheguei a acreditar que ela ia conseguir acertar na forma certa, mas nunca mais a vi escrever a dita palavra...

O sarcasmo da Fernanda

Havia chegado o dia das apresentações de trabalhos de Francês. Estávamos no 1.º ano do curso de Português-Francês (via ensino) da Universidade do Minho. A professora de Francês, Fernanda Prazeres Ferreira Andrade, propôs-nos um trabalho para ser apresentado oralmente em francês. O meu caro colega, a vítima desta professora, fez o seu trabalho, cujo tema era "L' économie Française".

É fundamental que saibam que o João (chamemos-lhe assim) troca os rr pelos gg, embora tal não seja um obstáculo para o compreendermos.

As apresentações deram início às 14h. O meu colega, João, iniciou as apresentações.
Levantou-se do seu lugar e posicionou-se ligeiramente à frente da secretária da indocente Fernanda, de frente para nós e de costas para a professora.

Durante toda a sua apresentação, a professora Fernanda riu-se silenciosamente nas costas dele. Olhava para a janela e punha as mãos na boca para não sair nenhum ruído do riso que estranhamente lhe era difícil conter... Abanava a cabeça e tapava a boca com as mãos. Tentava conter o sorriso mas os espasmos não conseguia conter. Nós assistíamos indignados a este cenário. A professora a rir-se nas costas do meu colega enquanto ele se esforçava para fazer uma boa apresentação. Ficámos sem palavras. Um outro colega nosso levantou-se a meio e saiu. E realmente, era o que todos nós devíamos ter feito.

O João disse, no meio do seu trabalho, a palavra touguisme (tourisme). A professora interrompeu-o e pediu-lhe que voltasse a repetir a palavra. Ele repetiu e ela disse:

- Desculpa mas o que é que disseste?
(Ela falou em Francês mas eu reconstruirei todo o diálogo em Português.)

Ele respondeu novamente. Ela insatisfeita, fazendo uma expressão facial de quem não havia percebido, voltou a pedir que o João repetisse. Ele repetiu pela terceira vez,
mas ela achava que não tinha sido suficiente a humilhação que estava a proporcionar ao João e pediu-lhe pela quarta vez que a voltasse a dizer. Foi então que nós, colegas dele, sentimo-nos na obrigação de o ajudar:

- Ele disse turismo! Nós percebemos o que ele disse!... - respondemos nós.

Ela respondeu a rir-se:

- Ahh, bem! Pensei que fosse uma palavra nova em Francês que eu não conhecesse...

Ele, envergonhado pela situação, disse-lhe cabisbaixo que tinha um problema de dicção, que trocava os rr pelos gg.
Foi então que ela lhe perguntou:

- Diz-me uma coisa, o que é que estás aqui a fazer? Era mesmo este curso que querias?

Motivador, não?! Será que na França não há pessoas que troquem os rr pelos gg? Para cúmulo da situação, ela é portuguesa. Será que não percebeu mesmo a palavra "touguisme"?

06 julho 2005

Sobre o Professor Doutor Cadima

Revelo aqui mais algumas histórias por mim presenciadas, tendo como actor principal este indocente, já referido num poste anterior.

O Cadima era do tipo que trazia para as aulas exercícios de escolha múltipla fotocopiados de um manual espanhol. Como não percebíamos muito bem a língua, por vezes não acertávamos a resposta (talvez porque "ratoeiras" de enunciado em espanhol nos passem ao lado) e pedíamos esclarecimento. A resposta do costume era: "Se o autor diz que é assim, é porque é assim!"

O mesmo professor que me fez a vida negra no exame da disciplina, como podeis ver no tal poste anterior, teve o desplante de me dizer, enquanto me entregava o prémio do Conselho Académico (entregue ao aluno com melhor média do secundário a escolher a UMinho como 1ª opção), com um sorriso idiota na cara, o seguinte:

"Um aluno da sua categoria, e só conseguiu tirar 15 à disciplina de Introdução à Economia I?!"

O quê?? Amigo... 3/4 do tempo do exame passei eu a tentar explicar-lhe que o exercício era impossível, o restante passei a resolvê-lo!... Se calhar não tive tempo...

Não sou, mesmo nada, a favor da resolução de conflitos por via da violência física. Esta foi, das poucas vezes na minha vida, em que me apeteceu fazer alguém engolir os dentes da frente...

Justiça --- a lógica da batata

Das imensas recordações que trago do secundário, esta reveste-se de um carácter revoltante, e ao mesmo tempo hilariante. Passo a explicar:

Uma das professoras que sempre gostou de mim (como aluno) foi a minha professora de inglês. Como tenho bom domínio da língua e participava nas aulas, a professora tinha-me em boa conta. Os testes corriam bem e as notas concordavam... Teria a mesma professora quer no 10º, quer no 11º ano.

Muita gente reparava que a professora "bonificava" os esforçados, que levavam mais 2 ou 3 valores no final do período do que a média dos testes, e indignavam-se. Pessoalmente, tal não me afectava, se calhar porque eu próprio tinha boa nota e nem reparava que isso se passava.

Até que a professora, numa das últimas aulas do 11º ano decide perguntar-me quanto tempo por semana eu dedicava ao estudo da disciplina.

Nenhum... - respondi-lhe com naturalidade.

A sua face espantada e ruborizada deu lugar a um discurso de quem estava aterrorizada com o facto de me ter dado boa nota no ano anterior. Frases como "Se eu soubesse..." ou "Isso é uma injustiça face aos seus colegas que estudam tanto" faziam parte da panóplia de gritos que se ouviam dos "galinheiros" da escola...

Eu tinha sensivelmente as mesmas notas e tipo de participação que tivera no ano anterior. Teria, portanto, a mesma nota à disciplina nesse ano, também. Mas não. Disse-mo directamente a Prof. Mesquita Machado que me ia baixar a nota por eu não ter sido um aluno estudioso. E baixou. Esta é a parte revoltante.

Ainda bem que esta professora leccionava inglês e não matemática. Como a nota do 11º fazia média com a do 10º (e ela só baixou um valor), eu fiquei com a nota do ano anterior como nota final para cálculo da média do secundário. Assim a sua "penalização" não surtiu qualquer efeito. Esta é a parte hilariante.

05 julho 2005

Indocente intrometida

No tempo em que frequentava a Escola Secundária D. Maria II, fui confrontada com situações incómodas por causa da demasiada intimidade que existia entre professores e alunos.

Estava no fim do meu 10.º ano, em pleno calor. Deixei-me estar mais tempo no intervalo e um pouco indecisa lá optei por ir à aula de História, chegando atrasada (por causa da minha indecisão) 15 minutos.

Pensei que seria só entrar e sentar-me sem fazer barulho. Enganei-me! Para minha surpresa, para poder assistir à aula tive de passar por um interrogatório! A professora perguntou-me onde estive, com quem estive e porque é que cheguei atrasada 15 minutos! Lá tive eu de inventar uma história qualquer para calar a indocente intrometida.

A história do professor que falava, falava, falava, falava… mas não dizia nada

Cenário: Escola Secundária D. Maria II, Braga.
Disciplina: Psicologia.

Era o primeiro dia de aulas. O professor de Psicologia, de cujo nome não me recordo, numa aula onde o único do sexo masculino era ele, tentava dizer qual o programa que iria cumprir durante o ano lectivo. Nós, caladinhas a tentar perceber o que ele (não) dizia, ouvíamos de minuto a minuto ele próprio a interromper-se para perguntar:

- Está tudo bem aí ao fundo?

E recomeçava a dizer gaguejadamente o programa que iria ser dado ao longo do ano ao mesmo tempo que pousava e esfregava os seus órgãos sexuais na esquina das mesas das alunas.
Não acabava de dizer a frase e interrompia-se novamente:

- A menina ia fazer alguma pergunta? Passa-se alguma coisa aí?

Não. Estávamos todas caladas e quietas a analisar um estranho homenzinho que tentava falar mas nunca acabava uma frase. O indocente não conseguiu dizer absolutamente nada sobre o programa ou a matéria durante a hora inteira de aula.

Os indocentes também erram…

A Prof. Doutora Marina Vigário, indocente da Universidade do Minho, doutorada em Linguística e conhecida nacionalmente, numa aula de Fonologia, escreveu no quadro a "palavra" «adecuado». Disse-nos que havia qualquer coisa na palavra que estava mal, mas não sabia o quê e pediu-nos ajuda.

Justificou a sua dúvida com o facto de ter os olhos cansados…

São estes os linguistas portugueses…

Um exame atribulado!

Mais uma história hilariante do professor Joaquim José Moreira dos Santos.
Era exame. Estavam mais de 50 alunos à porta enquanto esperavam ouvir o seu nome para poder entrar na sala! O facto de o Professor usar uma folha com a fotografia a cores de cada aluno para fazer a chamada e lhes indicar o lugar que estava já "reservado" de forma estudada atrasava a entrada na sala e aumentava o nervosismo dos alunos.
Mas o ridículo da situação não ficou por aqui. Depois de os alunos terem estado meia hora à espera para entrar, depois de já estarem todos sentados nos lugares que ele exigiu a cada um, depois de já estarem com o enunciado na mão, ele diz:

— Quem não entregou a fichinha com a fotografia e o nome pode sair porque não faz exame.

Uma rapariga não tinha entregado a fichinha. Levantou-se indignada pelo ridículo da situação e saiu. O professor foi atrás dela e perguntou-lhe porque é que ela não a entregou. Ela respondeu que não sabia o quão importante era entregar a fichinha (ao ponto de nem poder fazer o exame!).
Perguntou-lhe se, caso fosse tirar fotocópia à fotografia do BI, ele a deixava fazer o exame. Ele respondeu que sim. Entretanto, uma outra aluna entregou-lhe uma fotocópia a preto e branco. Ele não aceitou e relembrou-as de que tinha de ser a cores!!

Lá foram elas, contrariadas e furiosas, à reprografia.

Para além da meia hora de atraso, mais os vinte minutos perdidos a tirar uma fotocópia a cores(!) não tiveram tempo de compensação.

Mas a história não fica por aqui.

É relevante dizer que ele não permitia que ninguém fosse ao seu encontro entregar o exame. Ele é que vinha ao nosso lugar recolhê-lo e ninguém podia levantar-se!

No final, a rapariga sem ficha pediu-lhe para entregar o exame porque precisava muito de ir à casa-de-banho. Ele respondeu com o tal sorriso de gozo:

— Vá para o seu lugar, sente-se, que mais depressa aí vou e mais depressa poderá ir à casa-de-banho.

Mais uma vez, contrariada e furiosa, ela cedeu às ordens deste indocente!

Esta história é real, como todas as outras que contei e vou contar.

04 julho 2005

A importância da pintinha

Numa aula de Latim, leccionada pelo professor Joaquim José Moreira dos Santos (padre ou ex-padre), na Universidade do Minho, estava a ser resolvido um exercício no quadro onde um meu colega estava a escrever uma frase em latim. No fim, o professor perguntou-lhe se achava que a frase estava correcta. Ele olhou, olhou e disse humildemente que achava que sim. O Professor riu-se com desdém e estendeu a pergunta a todos nós. Olhamos, vimos se estavam correctas todas as concordâncias etc. E cada um de nós tentava uma possibilidade, que foi sempre negada pelo professor. Depois de mais de 5 minutos (sem exagero!) a tentar perceber qual o erro, um colega nosso mais atrevido, do fundo da sala disse, no gozo:

— Ah! Falta a pintinha no "j" (jota)!!

Todos nos rimos! Mas o professor exclamou:

— Muito bem! Exacto! Falta a pintinha no "j"! Se não puserem pintinha no "j", a frase não está totalmente correcta.

Ele não estava a brincar.

O funeral da tua mãe

Indocente Florence Uma famosa indocente do curso de Ensino de Português e Francês da Universidade do Minho, chamada Florence Jacqueline Nys (de nacionalidade belga), pediu a cada aluno, num dos seus exames de Francês, que redigisse uma composição com o tema Os preparativos do funeral da sua mãe ("sua", i.e. do aluno!)

A dita indocente começou a chorar, não conseguindo perceber porque alguns alunos saíram da sala indignados com o carácter macabro do tema proposto.

Haverá indocente mais indocente?

03 julho 2005

graffiti,gravuras,new age modern art...

Agradeço desde já a oportunidade dada para expor algumas das histórias com indocentes que se passaram ao longo da minha licenciatura de Economia na mui nobre Universidade do Minho.
A primeira então passa-se na aula de Economia Bancária com o indocente Prof.Dr. Carlos Arriaga:
A meio da aula e depois de ter escrito no quadro algumas genialidades inatas a este professor, "Arriaga" liga o retroprojector para passar à tentativa de explicação gráfica da matéria. Nada de anormal se estava a passar, isto é , ninguém estava a perceber nada, até que Arriaga começa a tentar explicar,com elevada convicção e levado pelo momento, as movimentações das curvas do gráfico com uma caneta vermelha e desenha umas setas e outras curvas a vermelho por cima do referido gráfico. O problema é que o retroprojector estava a ser utilizado virado para a parede branca da sala...os alunos tentam conter a risada geral que era merecida, mas no final da aula, quando o retroprojector é desligado, não conseguimos evitar a gargalhada ao ver aqueles riscos vintage...
Portanto aqui fica a explanação acerca das "gravuras da UMINHO". até a uma próxima

02 julho 2005

Contabilidade Analítica

Antes de mais, parabéns por esta ideia. Admiro a coragem de avançar
com as denúncias e relatos de situações provenientes da parte menos
favorecida das relações indocentes / discentes. A situação seguinte
não visa apenas a fraca qualidade de uma (in)docente, mas também da
falta de responsabilidade de quem os nomeia.
A situação passou-se no meu terceiro ano da Licenciatura em Gestão de Empresas.
Após termos recebido aulas num ano lectivo de um professor de
qualidade inegável, o Prof. João Carvalho, docente (este sim) da
cadeira de Contabilidade Analítica, no ano seguinte foi designada para
leccionar (?) a mesma cadeira uma professora que, quase no final do
semestre, ao ver-se obrigada a leccionar as famosas contas
reflectidas, para os minimamente entendidos, a classe 9, pediu a
colaboração do referido docente para lecionar essa matéria, porque,
segundo ela própria, não se sentia à vontade para transmitir a
informação necessária. Imaginemos o ridículo de um anfiteatro da
Universidade do Minho, com 200 alunos surpresos pela presença de um
docente que a maior parte desconhecia, ouvir uma professora admitir
que a ajuda do Prof. João Carvalho era indispensável, pela sua
reduzida capacidade de leccionar uma matéria presente no programa de
uma disciplina. A falta de cuidado na atribuição de disciplinas a
(in)docentes provoca, naturalmente, prejuízo nos discentes. Vamos lá
então ver se começamos a pôr os olhos nestas situações e deixamos de
martirizar sempre os mesmos, ou seja, os alunos. Por vezes (muitas
vezes), a culpa não é nossa...

Saudações cordiais

01 julho 2005

Ainda hoje me questiono…

Indocente Cadima
Pesa agora sobre os meus ombros a responsabilidade de abrir as "hostilidades" no que toca ao propósito deste blogue, propriamente dito.

Revelo aos estimados leitores e (ex) companheiros de condição de discente um dos mais ultrajantes episódios do meu percurso escolar. E foram 16 anos. Considero este facto como um atentado à relação aluno/professor, e um exemplo taxativo do que acontece quando tapamos o sol com a peneira

Contexto: Primeiro semestre do primeiro ano de universidade, exame da disciplina de Introdução à Economia I da Licenciatura em Economia da Universidade do Minho, Janeiro de 2001.

Indocente: Prof. Dr. J. Cadima Ribeiro

Durante o exame, apercebi-me de que não era possível resolver um exercício que valia 8 valores. O enunciado estaria claramente incompleto, e era até bastante simples perceber porquê. Para os menos leigos, na 1ª alínea pedia-se o preço e quantidade de equilíbrio quando no enunciado apenas constava uma curva da oferta…

Tentei, em vão, que o Professor Doutor olhasse para o enunciado e o analisasse. Este escusou-se a fazê-lo argumentando que tinha copiado o exercício de um livro (que apresentava a solução) e portanto não havia hipótese de ser impossível de resolver.

O tempo passava, e vi-me forçado a usar a mesquinhez da referida pessoa para levar avante o meu propósito: sabendo que o Prof. Dr. não morria de amores por mim, propus-lhe que, conseguindo ele resolver o exercício à minha frente, eu aceitaria uma classificação de 0 (zero) na disciplina. Aceitou, tentou e falhou. Foi ao seu gabinete procurar o livro e respectiva solução e com (incompreensível) naturalidade anunciou, a 45 minutos do final do exame, que o exercício tinha um enunciado incompleto. Descobriu então que, para além de não ter percebido por que razão não conseguia resolver o exercício - o que é grave - se mostrou incapaz de copiar um simples texto de um livro.

Compreensivo e humilde, não permitiu aos alunos qualquer tempo extra para a resolução do dito exame.

Esclarecimento

A pedido de muitas famílias, venho por este meio informar o modo como devem proceder para participarem neste blogue:

1 - Enviam um e-mail para o endereço indocentes@gmail.com;

2 - Ser-vos-á enviado um convite a partir do qual poderão escrever, sempre que considerarem oportuno, as vossas estórias (não esquecer o aviso deixado por Zwei, quanto ao teor dos vossos escritos e linguagem utilizada);

3 - Aceitando esse convite, os já registados no Blogger passarão a ter acesso imediato. Os restantes deverão usar esse mesmo convite para se registarem.

Obrigado.

30 junho 2005

Eles não são docentes. Eles são indocentes!

Por todo o país, existem centenas — se não milhares! — de professores péssimos e ridículos. Nós, pobres alunos, somos os únicos prejudicados. O mínimo que podemos fazer é expô-los ao ridículo. É esse o propósito deste blogue.


Conta a todos as histórias mirabolantes daqueles teus professores que parecem personagens d' Os Malucos do Riso! Conta aqui aquelas coisas em que ninguém consegue acreditar! Mostra ao mundo quão fracos são os teus professores!


Já há muito tempo que penso em criar este blogue, tantas são as histórias fantásticas que me contam de professores malucos. A maluquice parece estar bem distribuída tanto por professores universitários como pelos do ensino secundário. E parece estar também bem distribuída por todo o país e — quem sabe? — pelo mundo.


Peço aos contribuidores que contem apenas histórias verdadeiras. O conteúdo de cada contribuição é da exclusiva responsabilidade do seu autor! Fica ao critério de cada um divulgar ou não o nome verdadeiro do professor visado. Não me responsabilizo por nada. No entanto, reservo-me o direito de eliminar posts de carácter ofensivo, ou contendo linguagem de baixo nível, ou que se afastem do tema.
Reservo-me também o direito de, eventualmente, corrigir falhas ou erros tipográficos ou ortográficos, quer meus, quer doutros.